Anticorpo NG 101 revoluciona recuperação de nervos e melhora habilidades motoras após lesão medular

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Por Alex Morales
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Anticorpos aumentando as conexões nervosas na medula espinhal.

São PauloEstudo Clinic Desenvolve Esperança para Tetraplégicos com Anticorpo NG 101

Um ensaio clínico recente apresentou resultados promissores para indivíduos com lesões graves na medula espinhal, especialmente aquelas que afetam os quatro membros (tetraplegia). O estudo NISCI investigou os efeitos do anticorpo NG 101, também conhecido como anti-Nogo-A, destinado a promover a regeneração nervosa ao bloquear a proteína Nogo-A. Esta proteína é conhecida por inibir a reparação de nervos na coluna. A pesquisa contou com 126 participantes com lesões agudas na medula espinhal na região do pescoço, o que afetou as funções dos braços e das mãos.

O estudo contou com 126 participantes entre 18 e 70 anos, todos com lesões na medula espinhal na região do pescoço. A pesquisa foi rigorosamente planejada para evitar vieses, adotando um método em que nem os participantes nem os pesquisadores sabiam quem estava recebendo o tratamento ou um placebo. Do total, 78 participantes receberam o anticorpo NG 101, enquanto 48 receberam um placebo. O tratamento incluiu seis injeções e cuidados intensivos em um ambiente hospitalar. Aqueles com lesões parciais apresentaram avanços significativos tanto em habilidades motoras quanto na capacidade de realizar atividades diárias de forma independente.

O estudo apresentou melhorias significativas em pessoas com lesões incompletas na medula espinhal. Elas passaram a ter maior controle sobre seus músculos e conseguiram realizar mais atividades por conta própria. Essas melhorias não foram observadas em pessoas com lesões completas, indicando que o tratamento pode ser mais eficaz para determinados grupos de pacientes.

Este avanço é extremamente significativo. Ele auxilia pacientes com lesões na medula espinhal a recuperar o movimento dos braços e mãos, o que melhora consideravelmente suas vidas. Essa descoberta pode revolucionar o tratamento dessas lesões e oferecer uma nova esperança aos afetados. Notavelmente, nenhum efeito colateral prejudicial foi identificado no tratamento, indicando que ele é tanto seguro quanto eficaz.

A importância da colaboração internacional na pesquisa médica é destacada por este ensaio. Liderado pela Universidade de Zurique e pelo Hospital Universitário Balgrist, com o apoio do Hospital Universitário de Heidelberg, o estudo contou com uma vasta rede de clínicas europeias. O anticorpo NG 101 foi desenvolvido no âmbito do projeto CeNeReg, enfatizando a parceria entre a pesquisa acadêmica e a inovação em tecnologia médica.

Um novo estudo terá início em dezembro de 2024 para dar continuidade à pesquisa. Este estudo visa aprimorar o tratamento com anticorpos e focará em grupos de pacientes que possam ter mais benefícios. Ele inaugura uma nova fase no tratamento de lesões medulares, fundamentada em novas ideias e na colaboração na ciência médica.

Este estudo traz esperança para pessoas com lesões na medula espinhal, ao indicar que no futuro elas poderão recuperar a independência e melhorar sua qualidade de vida.

O estudo é publicado aqui:

http://dx.doi.org/10.1016/S1474-4422(24)00447-2

e sua citação oficial - incluindo autores e revista - é

Norbert Weidner, Rainer Abel, Doris Maier, Klaus Röhl, Frank Röhrich, Michael Baumberger, Margret Hund-Georgiadis, Marion Saur, Jesús Benito, Kerstin Rehahn, Mirko Aach, Andreas Badke, Jiri Kriz, Katalin Barkovits, Tim Killeen, Lynn Farner, Maryam Seif, Michèle Hubli, Katrin Marcus, Michael A Maurer, Bérénice Robert, Rüdiger Rupp, Paulina S Scheuren, Martin Schubert, Christian Schuld, Christina Sina, Bettina Steiner, Tanja Weis, Andreas Hug, Marc Bolliger, Nikolaus Weiskopf, Patrick Freund, Torsten Hothorn, Martin E Schwab, Armin Curt. Safety and efficacy of intrathecal antibodies to Nogo-A in patients with acute cervical spinal cord injury: a randomised, double-blind, multicentre, placebo-controlled, phase 2b trial. The Lancet Neurology, 2025; 24 (1): 42 DOI: 10.1016/S1474-4422(24)00447-2

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