Fronteiras da edição genética: o equilíbrio entre precisão e segurança na era do CRISPR-Cas9

Tempo de leitura: 2 minutos
Por Alex Morales
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Fios de DNA microscópicos com elementos de tecnologia futurista.

São PauloNos últimos anos, a tecnologia CRISPR-Cas transformou a forma como editamos genes, levando a avanços no tratamento de doenças genéticas e no desenvolvimento de culturas mais resistentes. Essa inovação se baseia na capacidade do CRISPR-Cas9 de cortar o DNA em locais específicos. Para adicionar novo material genético com precisão, os cientistas têm incentivado as células a utilizar um processo de reparo chamado reparo direcionado por homologia (HDR). O AZD7648 surgiu como uma molécula promissora para melhorar a precisão do CRISPR, auxiliando o HDR.

Título: Uso de AZD7648 pode comprometer a estabilidade do genoma

A empolgação deu lugar à cautela após estudos recentes indicarem que o AZD7648, embora melhore a reparação precisa do DNA, pode provocar instabilidade genômica. Pesquisadores do Instituto ETH Zürich, sob a liderança de Jacob Corn, descobriram que células tratadas com AZD7648 sofreram mudanças genéticas significativas e inesperadas, incluindo a deleção de milhares de bases de DNA. Esses achados ressaltam os desafios e riscos de utilizar moléculas únicas para aprimorar a recombinação homóloga (HDR).

Os principais achados dos pesquisadores da ETH são fundamentais para serem levados em conta.

  • Deleções massivas e instabilidade genômica.
  • Quebras inesperadas nos braços dos cromossomos.
  • Superando a expectativa de modificações ilesas.
  • Necessidade de análises genômicas mais amplas além dos locais-alvo.

Pesquisas revelam necessidade de revisitar o uso de ferramentas CRISPR

Essas descobertas indicam que precisamos repensar a maneira como desenvolvemos e aplicamos ferramentas CRISPR. Os pesquisadores devem examinar o genoma completo, e não apenas as áreas pretendidas, para identificar possíveis efeitos colaterais. Precisamos de novos testes e um conjunto mais amplo de diretrizes para garantir que essas ferramentas sejam seguras, sem comprometer o avanço da inovação.

Tecnologia CRISPR-Cas: Possibilidades de Aperfeiçoamento

Cientistas acreditam que a tecnologia CRISPR-Cas pode ser aprimorada com o uso de métodos mais detalhados. Em vez de utilizar apenas uma molécula para guiar o processo de reparo, pode ser necessário criar combinações de diferentes substâncias. Essas misturas trabalhariam em conjunto para reparar genes de forma mais eficaz, causando menos danos ao genoma. Para isso, será preciso testar diversas moléculas até encontrar a combinação ideal que seja segura e eficiente.

Terapias com CRISPR-Cas já estão demonstrando resultados animadores. Por exemplo, pacientes com anemia falciforme foram tratados com sucesso sem a necessidade do AZD7648, provando que soluções de edição genética podem ser eficazes e seguras. O próximo passo é aprimorar essas técnicas para beneficiar mais pacientes sem provocar problemas genéticos inesperados.

O estudo é publicado aqui:

http://dx.doi.org/10.1038/s41587-024-02488-6

e sua citação oficial - incluindo autores e revista - é

Grégoire Cullot, Eric J. Aird, Moritz F. Schlapansky, Charles D. Yeh, Lilly van de Venn, Iryna Vykhlyantseva, Susanne Kreutzer, Dominic Mailänder, Bohdan Lewków, Julia Klermund, Christian Montellese, Martina Biserni, Florian Aeschimann, Cédric Vonarburg, Helmuth Gehart, Toni Cathomen, Jacob E. Corn. Genome editing with the HDR-enhancing DNA-PKcs inhibitor AZD7648 causes large-scale genomic alterations. Nature Biotechnology, 2024; DOI: 10.1038/s41587-024-02488-6

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