Dopamina e serotonina: forças opostas moldando a aprendizagem e o comportamento no cérebro humano

Tempo de leitura: 2 minutos
Por Alex Morales
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Cérebro com vias de dopamina e serotonina contrastantes.

São PauloDopamina e serotonina: como atuam juntas na aprendizagem e comportamento

Uma pesquisa do Instituto de Neurociências Wu Tsai da Universidade de Stanford revela como a dopamina e a serotonina colaboram para influenciar o aprendizado e o comportamento. Esses neurotransmissores, comumente associados ao prazer e ao humor, desempenham papéis cruciais na aprendizagem e na tomada de decisões, frequentemente atuando de maneira oposta para controlar nossas ações. Embora os cientistas há muito suspeitassem dessas funções opostas, agora existem evidências experimentais claras mostrando como essas substâncias interagem no cérebro.

O estudo revela algumas informações básicas.

Dopamina e serotonina atuam de maneiras opostas durante o aprendizado de recompensas. Enquanto a dopamina aumenta em resposta a recompensas imediatas, a serotonina diminui, ajudando a moderar impulsos em prol de benefícios a longo prazo. Para um aprendizado eficaz, é essencial que ambos os neurotransmissores funcionem em conjunto.

Conexões entre Neurotransmissores e Transtornos Mentais: Muitos transtornos mentais, como dependência e depressão, estão associados a disfunções em sistemas cerebrais específicos. A dopamina não está ligada apenas à sensação de prazer; ela ajuda a identificar quando uma recompensa é surpreendentemente boa e incentiva a ação rápida. Por outro lado, a serotonina favorece a paciência e o planejamento a longo prazo ao reduzir comportamentos impulsivos.

O estudo utilizou novas técnicas para permitir que os pesquisadores modificassem e observassem a dopamina e a serotonina em camundongos. Eles aplicaram a optogenética para controlar a atividade dos neurônios no núcleo accumbens, uma área crucial para emoções e recompensas. Ao bloquear ou restaurar os sinais dessas substâncias químicas, descobriram que o aprendizado eficaz requer tanto a dopamina quanto a serotonina.

Essa descoberta pode abrir caminho para novas formas de tratar condições em que os neurotransmissores não estão equilibrados. Por exemplo, no tratamento da dependência, a estratégia poderia ser reduzir os níveis elevados de dopamina e aumentar os de serotonina para ajudar a controlar ações impulsivas. No caso da depressão, as terapias poderiam se concentrar em aumentar tanto a dopamina quanto a serotonina para melhorar a motivação e a tomada de decisões.

As ferramentas desenvolvidas neste estudo auxiliam na pesquisa futura em neurociência. Ao entender como funciona o sistema de recompensa do cérebro, os cientistas podem criar tratamentos mais eficazes para comportamentos prejudiciais em diferentes problemas de saúde mental. Esta pesquisa aprofunda nosso conhecimento sobre os neurotransmissores e pode levar a soluções melhores para pessoas com esses distúrbios.

O estudo é publicado aqui:

http://dx.doi.org/10.1038/s41586-024-08412-x

e sua citação oficial - incluindo autores e revista - é

Daniel F. Cardozo Pinto, Matthew B. Pomrenze, Michaela Y. Guo, Gavin C. Touponse, Allen P. F. Chen, Brandon S. Bentzley, Neir Eshel, Robert C. Malenka. Opponent control of reinforcement by striatal dopamine and serotonin. Nature, 2024; DOI: 10.1038/s41586-024-08412-x

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