Estudo revela: micróbios intestinais podem ser a chave para cérebros maiores e evolução humana

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Por Chi Silva
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Silhueta de cérebro preenchida com micróbios intestinais coloridos.

São PauloMicróbios intestinais podem desempenhar um papel crucial no desenvolvimento dos nossos cérebros maiores. Pesquisadores da Universidade Northwestern descobriram que esses pequenos organismos têm a capacidade de influenciar a maneira como nossos corpos produzem e utilizam energia, o que afeta o crescimento cerebral. O estudo incluiu a introdução de micróbios intestinais de humanos e macacos-esquilos em camundongos, resultando em achados interessantes.

Principais descobertas incluem:

  • Camundongos com microrganismos humanos e de macaco-esquilo geraram e utilizaram mais energia.
  • Camundongos com microrganismos de macaco-rhesus acumularam mais energia em forma de gordura.
  • Microrganismos intestinais podem impulsionar a evolução ao modificar a fisiologia animal.

O estudo traz novas perspectivas sobre a evolução humana ao questionar nosso entendimento sobre o uso de energia e metabolismo em primatas com tamanhos cerebrais variados. Pesquisas anteriores concentravam-se em fatores genéticos e ambientais que influenciavam o desenvolvimento cerebral, muitas vezes negligenciando o papel do metabolismo. As novas descobertas ressaltam que os microrganismos intestinais são fundamentais não apenas para a digestão, mas também possivelmente para suprir as maiores demandas energéticas de cérebros maiores.

O estudo é relevante não apenas para compreender culturas antigas. Ele investiga como as bactérias intestinais podem influenciar problemas de saúde atuais, como obesidade e diabetes. Se algumas bactérias ajudam a usar energia de forma mais eficiente, elas podem ser úteis no controle dessas doenças. Os compostos químicos que produzem também podem ser significativos. Os cientistas estão ansiosos para descobrir quais são esses compostos e como eles podem impactar o sistema imunológico e o comportamento.

Os resultados são iniciais, e ainda há muito a ser estudado. Pesquisas detalhadas com diferentes espécies de primatas de variados tamanhos cerebrais podem nos proporcionar mais aprendizado. Isso poderia ajudar a identificar quais grupos de microrganismos são mais benéficos para a função cerebral e a saúde geral.

Descobertas recentes indicam que o desenvolvimento do cérebro e do intestino está mais interligado do que pensávamos antes. Esse entendimento pode mudar nossa forma de enxergar como os sistemas do corpo funcionam juntos. As informações obtidas podem levar a novos tratamentos de saúde e medicina, especialmente nas áreas de uso de energia e saúde cerebral. Com a continuidade das pesquisas, esse campo tem potencial para desvendar o que nos torna humanos.

O estudo é publicado aqui:

http://dx.doi.org/10.1099/mgen.0.001322

e sua citação oficial - incluindo autores e revista - é

Elizabeth K. Mallott, Sahana Kuthyar, Won Lee, Derek Reiman, Hongmei Jiang, Sriram Chitta, E. Alexandria Waters, Brian T. Layden, Ronen Sumagin, Laura D. Manzanares, Guan-Yu Yang, Maria Luisa Savo Sardaro, Stanton Gray, Lawrence E. Williams, Yang Dai, James P. Curley, Chad R. Haney, Emma R. Liechty, Christopher W. Kuzawa, Katherine R. Amato. The primate gut microbiota contributes to interspecific differences in host metabolism. Microbial Genomics, 2024; 10 (12) DOI: 10.1099/mgen.0.001322

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