Nova pesquisa: como células do câncer de mama persistem na medula após a remissão

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Por Chi Silva
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Ilustração de células de câncer de mama na medula óssea.

São PauloPesquisas recentes revelam que as células de câncer de mama podem permanecer na medula óssea por muito tempo após o tratamento inicial. Essas células são frequentemente responsáveis por casos de recidiva da doença em pacientes. Enquanto os tratamentos convencionais se concentram em células tumorais ativas, as células cancerígenas na medula óssea permanecem inativas, mas têm o potencial de se transformar em câncer agressivo anos depois. Isso torna o manejo da doença desafiador e destaca a necessidade de desenvolver novos métodos de tratamento.

Cientistas identificaram diferentes maneiras de como células cancerígenas conseguem sobreviver na medula óssea.

Células cancerígenas se comunicam diretamente com células-tronco mesenquimais. Este contato permite a troca de moléculas essenciais, tornando as células cancerígenas mais agressivas. A proteína GIV (Girdin) é crucial para promover resistência a terapias direcionadas. Estruturas em forma de túneis celulares possibilitam essa troca molecular e intensificam a metástase.

O estudo aborda os chamados "túneis tumor-estroma" e sua importância no ambiente das células cancerígenas. Este ambiente é composto por células-tronco mesenquimais, células imunológicas e tecidos próximos. Esses elementos formam um espaço que apoia as células cancerígenas, auxiliando na sua adaptação e aumento da resistência.

Cânceres de mama positivos para receptores de estrogênio são os mais comuns e dependem de certas interações para se manterem. A proteína GIV dificulta a eficácia de tratamentos como o Tamoxifeno, que têm como alvo os receptores de estrogênio. Ao utilizar recursos das células-tronco da medula óssea, as células cancerígenas desenvolvem resistência e podem retornar de forma mais agressiva.

Nova perspectiva para prevenção de recaídas

Compreender essa nova dinâmica abre caminho para prevenir recaídas. Ao interferir na interação entre as células-tronco mesenquimais e a GIV, podemos diminuir a probabilidade de recorrências. Isso pode envolver a atenção específica às proteínas ou vias que permitem essa interação.

Pesquisadores estão investigando tratamentos que alteram o ambiente da medula óssea para impedir que células cancerígenas dormentes se tornem ativas e formem novos tumores. Eles também estão interessados em verificar se essa abordagem pode ser aplicada a outros tipos de câncer que se espalham para os ossos, o que poderia aumentar a utilidade dessas descobertas.

O estudo estabelece uma base sólida para futuras pesquisas que visam impedir a reincidência do câncer de mama. Isso inclui desenvolver medicamentos que consigam interferir na função dos tecidos de apoio ao câncer ou bloquear a atividade de proteínas essenciais como a GIV, trazendo esperança de melhores resultados a longo prazo para os sobreviventes do câncer.

O estudo é publicado aqui:

http://dx.doi.org/10.1172/JCI170953

e sua citação oficial - incluindo autores e revista - é

Saptarshi Sinha, Brennan W. Callow, Alex P. Farfel, Suchismita Roy, Siyi Chen, Maria Masotti, Shrila Rajendran, Johanna M. Buschhaus, Celia R. Espinoza, Kathryn E. Luker, Pradipta Ghosh, Gary D. Luker. Breast cancers that disseminate to bone marrow acquire aggressive phenotypes through CX43-related tumor-stroma tunnels. Journal of Clinical Investigation, 2024; DOI: 10.1172/JCI170953

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