Descoberta sobre variantes de proteínas pode explicar gravidade variável da COVID-19 e novas terapias

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Por Chi Silva
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Filamento de DNA com partículas de vírus e símbolos médicos.

São PauloPesquisadores da CU Boulder identificaram uma razão importante para a COVID-19 afetar as pessoas de maneiras diferentes. Eles descobriram uma variante de proteína que influencia o funcionamento da sinalização do interferon, essencial para combater vírus. Uma dessas variantes, chamada IFNAR2, tem um papel no controle da sensibilidade do sistema imunológico. Se a sinalização nessa rota estiver desequilibrada, pode resultar em diferentes respostas imunes, impactando o risco de uma pessoa desenvolver COVID-19 grave ou condições como a COVID longa.

A pesquisa destaca alguns pontos importantes sobre essa descoberta:

  • Essas variantes de proteínas eram originalmente transposons no nosso código genético e têm origem de milhões de anos atrás.
  • Transposons, antes considerados como "DNA-lixo", podem ter um impacto significativo nas respostas imunológicas.
  • O equilíbrio das variantes de IFNAR2 pode determinar como o corpo reage a infecções.
  • Diferenças genéticas nessas variantes podem explicar por que algumas pessoas sofrem mais com doenças como a COVID-19.

Estudo revela novos caminhos para terapias

Um estudo examinou como diferentes versões de uma proteína chamada IFNAR2 interagem com o interferon, uma substância que auxilia na luta contra vírus. Os pesquisadores descobriram que a versão mais curta de IFNAR2 impede que as células recebam totalmente os sinais antivirais. Ao remover essa versão curta, as células responderam melhor ao interferon, ficando mais resistentes aos vírus. Essa descoberta pode auxiliar no desenvolvimento de novos tratamentos. Se os cientistas conseguirem controlar a produção dessas versões de proteínas, poderá haver avanços no tratamento de diversas doenças, como distúrbios autoimunes, câncer e infecções virais.

Este achado é crucial tanto para o tratamento da COVID-19 quanto para a compreensão da imunidade humana. Ele destaca a necessidade de investigar partes de nosso genoma que têm sido negligenciadas, as quais contêm diferentes versões de proteínas. Ao explorar essas áreas, podemos descobrir novas formas de fortalecer nosso sistema imunológico.

Equipe da CU Boulder desenvolve compostos que atacam variantes genéticas, com o objetivo de melhorar a resposta do sistema imunológico e possibilitar tratamentos personalizados conforme o perfil genético de cada indivíduo. A pesquisa deles abre novas possibilidades no combate a doenças infecciosas e distúrbios imunológicos, destacando a importância contínua dos estudos em genética e imunologia.

O estudo é publicado aqui:

http://dx.doi.org/10.1016/j.cell.2024.11.016

e sua citação oficial - incluindo autores e revista - é

Giulia Irene Maria Pasquesi, Holly Allen, Atma Ivancevic, Arturo Barbachano-Guerrero, Olivia Joyner, Kejun Guo, David M. Simpson, Keala Gapin, Isabella Horton, Lily L. Nguyen, Qing Yang, Cody J. Warren, Liliana D. Florea, Benjamin G. Bitler, Mario L. Santiago, Sara L. Sawyer, Edward B. Chuong. Regulation of human interferon signaling by transposon exonization. Cell, 2024; DOI: 10.1016/j.cell.2024.11.016

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